Sermão do gloriosíssimo patriarca São José (1639)

NA CATEDRAL DA BAHIA, ANO DE 1639


Cum esset desponsata Mater Jesu Maria Joseph.[1]

I – Não há entendimento tão rude que não pasme, considerando o casamento da Mãe do próprio Deus na casa tão humilde de um pobre oficial. Pede o pregador a São José três instrumentos de sua oficina: uma serra, uma plaina e um compasso.

Todos os pregadores neste dia, acomodando-se, como devem, à história do Evangelho, tratam dos zelos e dúvidas de São José, meu senhor. Eu, como o menor de seus servos, pela obrigação com que devo zelar sua honra, não determino falar nas suas dúvidas, mas, quanto for possível à fraqueza do meu discurso, fazer indubitável e certo o que muitos até agora se não atreveram nem a duvidar. As bodas, já passadas, não de Maria, filha de Joaquim, mas de Maria, Mãe de Jesus, com José, refere com poderosa energia no texto, que ouvimos cantar, o evangelista S. Mateus: Cum esset desponsata Mater Jesu Maria Joseph (Mt. 1, 18). — Digo que as refere com poderosa energia, porque não haverá entendimento tão rude que não pasme, considerando um tal casamento, e em tal casa. O casamento tão alto, que não é menos que da Mãe do próprio Deus; e a casa tão humilde, como de um pobre oficial, que com o trabalho de suas mãos, e o suor de seu rosto, lavrando lenhos secos, e sem raízes, deles recolhia o duro pão, com que sustentava a mesma casa. Para dizer, pois, o que entendo, é-me necessário entrar nesta mesma oficina, e tomar dela emprestado três instrumentos: uma serra, uma plaina e um compasso; a serra, para dividir e apartar a verdade da opinião; a plaina, para aplainar todas as dificuldades que pode ter a mesma verdade; e o compasso, para medir a imensidade das grandezas de S. José, que nele estão encerradas. Este é o argumento do sermão, já dividido nas três mesmas partes. E, posto que o Espírito Santo seja Esposo da mesma Esposa de S. José, sem zelos nos favorecerá com a graça que lhe pedirmos por sua intercessão: Ave Maria.

II – De que modo o que dantes se reputava por injúria de Cristo, chamando-lhe filho de José, se converteu no maior louvor do mesmo José? Assunto do sermão: S José não só foi pai putativo, como dizem, mas verdadeiro e legítimo pai de Cristo.

O fim para que pedi a S. José o primeiro instrumento da sua oficina, foi para cortar e meter a serra entre o falso e o verdadeiro, ou entre o sólido e o mal fundado da sua reputação, vária sempre, mas sempre mais crescida. Quando Cristo, Redentor nosso, vivia neste mundo foi reputado por filho de S. José, como nota S. Lucas: Ut putabatur, filius Joseph (Lc. 3, 23). — Uns diziam isto sem malícia, porque assim o entendiam; outros maliciosamente, por desprezo, e para abater e afrontar o Filho com o ofício do pai: Nonne hic est fabri filius[2]Depois, correndo o tempo, e dando o mundo as voltas que em todas as coisas costuma, esta mesma, que dantes se reputava por injúria de Cristo, chamando-lhe filho de José, se converteu em louvor do mesmo José, contando-se até hoje por uma das suas prerrogativas mais singulares. Assim o reza o hino do mesmo santo: Jesu Christi Domini Pater nuncupatus[3]. — Porém, como este nome é contrário à sua própria significação, e em ser somente reputado por pai de Cristo, se supõe e afirma que o não era, que dirão os que sabem que a essência, ou a energia e alma do louvor não consiste na opinião, ou nas vozes, senão na realidade sólida do que é ou não é? Chegados à precisão deste ponto, já sou obrigado a me declarar, e dizer o que sinto. Digo, pois, e este será o meu assunto — que S. José não só foi pai putativo, como dizem, senão verdadeiro e legítimo pai de Cristo.

III – José, verdadeiro e legítimo filho de Davi. O verdadeiro e legítimo matrimônio de S. José com a Virgem Maria, celebrado antes da conceição do Verbo Divino. As bodas de S. José com a Virgem Maria, e as bodas de Jacó com Raquel.

Não faltará quem chame a esta proposição demasiada ousadia. Mas, se eu a provar, não há dúvida que será um grande louvor de meu senhor S. José, e, quando a não prove, servirá de consolação ao meu desejo e afeto, e a mesma ousadia morta merecerá o epitáfio de Faetonte: Magnis tamen excidit ausis[4]. — Para prova do que disse, suponho duas coisas. A primeira, que S. José foi verdadeiro e legítimo Filho, isto é, descendente, de Davi. Consta autenticamente para todo o mundo, pelo livro da matrícula dos romanos, e para os que crêem no Evangelho, pelo de S. Lucas, quando, por obedecer José ao edito de Augusto César, foi pagar o tributo a Belém, cidade de Davi: Eo quod esset de domo et familia David[5] — porque era da casa e família de Davi. O mesmo evangelista, narrando a embaixada de S. Gabriel, diz que veio à cidade de Nazaré enviado por Deus: Ad virginem desponsatam viro, cui nomen erat Joseph, de domo David (Luc. 1, 27): a uma Virgem desposada com um varão da casa de Davi, por nome José. — E no nosso evangelho, o anjo que revelou a S. José o mistério da Encarnação, ou fosse o mesmo ou outro, expressamente o nomeia por filho de Davi: Joseph, fili David, noli timere[6].

A segunda coisa que suponho, é que o matrimônio de S. José com a Virgem Maria, Senhora nossa, foi verdadeiro e legítimo matrimônio, celebrado antes da conceição do Verbo Divino. Esta última circunstância duvidaram alguns autores, fundados nas palavras do nosso texto: Cum esset desponsata Mater Jesu Maria Joseph[7] — nas quais chamar-se a Senhora desposada, parece que significa somente desposórios de futuro, e não consenso mútuo por palavras de presente, em que consiste a essência do matrimônio. Mas o contrário se declara e convence do mesmo texto, por duas cláusulas afirmativas, manifestas e expressas: uma, com que o evangelista S. Mateus no mesmo tempo dá a José o nome, não de esposo, senão de marido: Joseph autem, vir ejus cum esset justus[8]; e outra, com que o anjo nomeia a Senhora com a palavra conjux, que significa mulher legítima e casada: Noli timere accipere Mariam conjugem tuam[9].

Não quero passar sem reparo o termo accipere, e dizer o anjo a S. José que não tema de receber a Senhora, aludindo à deliberação em que estava de a deixar ocultamente: Voluit occulte dimittere eam (Mt. 1, 19). — Onde se vê que as bodas de S. José com a Virgem Maria foram como as de Jacó com Raquel, a qual ele recebeu duas vezes: uma vez, sem saber o que recebia, de que se lhe seguiu aquela sua grande tristeza; e outra vez, sabendo e vendo claramente que era Raquel, com os extremos de alegria e festa, de que era merecedora. Do mesmo modo S. José. A primeira vez, estando já a Senhora levantada sobre todas as criaturas à dignidade suprema de Mãe de Deus, recebeu-a sem saber o que era, como filha de Joaquim; e, posto que dotada de muitas graças, capaz, como mulher de lhe causar as tristezas e angústias em que agora se via. Mas a segunda vez? Ó homem mais venturoso e bem-aventurado de todos os nascidos! Recebeu-a a segunda vez com aquele assombro e pasmo de ter concebido em suas entranhas o Verbo Eterno, por virtude do Espírito Santo: Quod enim in ea natum est, de Spiritu Sancto est[10] — e que, sendo ela tal, os mesmos anjos, que a adoravam como Rainha, lhe chamavam mulher sua: Noli timere accipere Mariam conjugem suam.

Provada esta suposição, de ser verdadeiro e legítimo matrimônio o da Virgem Santíssima com S. José, e a primeira, de ser S. José verdadeiro e legítimo filho e descendente de Davi, sobre estas duas premissas, passaremos à conclusão da nossa proposta. E só advirto, para que a equivocação dos nomes não faça dúvida, que sendo os próprios extremos do verdadeiro e legítimo matrimônio, mulher e marido, em que necessariamente havemos de falar, eu só usarei comumente da palavra esposo e esposa, assim para maior reverência de uma tão sagrada união, de ambas as partes virginal, como porque o evangelista S. Mateus, no texto do nosso tema, usou da mesma urbanidade, não dizendo conjugata, ou nupta, senão desponsata: Cum esset desponsata Mater Jesu Maria Joseph.

IV – Se Jesus, que se chama Cristo, de tal sorte nasceu da urgem Maria, que José não teve parte alguma na sua geração, como mete S. Mateus a José na genealogia de Cristo, e nomeadamente como esposo de Maria?

Chegando, pois, já à prova do nosso grande assunto — que, como medrosa, parece que tem tardado — digo assim: S. José foi verdadeiro e legítimo filho de Davi; o matrimônio de S. José foi verdadeiro e legítimo matrimônio: logo S. José foi verdadeiro e legítimo pai de Cristo. Para confirmação desta conseqüência não tenho menos autores que dois evangelistas, S. Mateus e S. Lucas. S. Mateus, assentando por primeiro fundamento do seu Evangelho a genealogia de Cristo, Senhor nosso, diz: Líber generationis Jesu Christi, filii David (Mt. 1, 1): Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi. — E, depois de referir quarenta e uma gerações, todas de pai a filho, até José, fecha o mesmo livro com esta cláusula: Jacob autem genuit Joseph, viam Mariae, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus (Mt. 1, 16): Jacó gerou a José, Esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. Mas, se Jesus, que se chama Cristo, de tal sorte nasceu da Virgem Maria, que José não teve parte alguma na sua geração, como mete S. Mateus a José na genealogia de Cristo, e nomeadamente como esposo de Maria: Joseph, viram Mareie? A resposta deste fecho, que em outro tempo foi não pouco dificultosa, hoje é fácil, mas dependente de muitas circunstâncias e notícias.

A primeira, que a Virgem Maria era única herdeira da casa de seus pais; a segunda, que as herdeiras, assim únicas, eram obrigadas a casar com tal esposo, que fosse não só da sua tribo[11], senão da sua própria família; a terceira, que a exata derivação desta descendência se havia de fazer pela linha ou via masculina, e não pela feminina, como o evangelista fez a de S. José. E de toda esta junta e concurso de condições — que naquele tempo eram públicas — concluiu S. Mateus a verdade da sua proposta, que era a geração de Cristo Jesus, desta maneira: Jesus Cristo foi Filho de Maria; Maria foi da mesma tribo e família de José; José foi da tribo e família de Davi; logo, Jesus Cristo, que nasceu de Mana, foi Filho de Davi: Líber generationis Jesu Christi, filii David. — Disse que estas condições naquele tempo eram públicas, para dar a razão de S. Mateus as não referir, mas supor, reduzidas a três palavras: Joseph vi rum Mariae. — E a razão é porque S. Mateus escreveu em hebreu, e para os hebreus, entre os quais o ser Cristo Filho de Davi era coisa tão vulgar que a sabiam os meninos, os quais, quando entrou em Jerusalém, o receberam cantando: Hosanna filio David[12]. — E não só os hebreus, senão também os gentios o não ignoravam, como a Cananéia: Miserere mei, Domine, fili David[13]. — E até os cegos, como o da estrada de Jericó, o qual, sentindo tropel de gente, perguntou quem era, e, respondendo-lhe que era Jesus Nazareno, chamando por ele, não disse: Jesus Nazareno — senão: Filho de Davi: Fili David, miserere mei[14].

V – Se o nome próprio do filho de Maria era Jesus, por que lhe acrescenta o evangelista S. Mateus o de Cristo? O principal fim e intento do livro da geração, que escreveu o evangelista S. Mateus. Se o varão não havia de ter parte no filho, e todo havia de ser da Virgem, por que declara o evangelista a família do varão, e a da Vigem não a declara?

Até aqui não aparece ainda a minha conseqüência; mas há de ser também minha a dúvida. Reparo em não só dizer o evangelista De qua natus est Jesus — mas acrescentar: Qui vocatur Christus. — Para declarar que Jesus era Filho da Virgem Maria, e a Virgem Maria Mãe sua, bastava dizer De qua natus est Jesus — que era o seu próprio nome. Assim o nomeou o anjo à Virgem antes de ser concebido: Vocabis nomen ejus Jesum[15] — assim, depois de concebido, a S. José, pelas mesmas palavras: Vocabis nomen ejus Jesum (Mt. 1, 21). — E, finalmente, no dia da circuncisão, que andava junto com a imposição dos nomes: Vocatum est nomen ejus Jesus[16]. — Pois, se o seu nome próprio era Jesus, por que lhe acrescenta o evangelista S. Mateus o de Cristo: Qui vocatur Christus? — Também aqui é necessária a serra, e dividir e distinguir em Jesus o ser Jesus e o ser Cristo; e, do mesmo modo, na Virgem o ser filha de Davi e o ser esposa de José, porque, para Cristo ser Jesus, bastou ser Filho de Maria: Mariae, de qua natus est Jesus[17] — mas, para Jesus ser Cristo, era necessário que Maria fosse esposa de José: Joseph virum Mariae. — Declaremos o que está encerrado nesta notável complicação. Cristo quer dizer ungido; e foi ungido, não só por rei, senão nomeadamente, por rei do reino é cetro de Davi, o qual por isso, entre tantos outros reis desta genealogia, ele só se chama rei: David autem rex (Mt. l, 6). — A sucessão e herança deste reino, foi o principal fim e intento do livro da geração, que escreveu o evangelista S. Mateus, não só do Filho de Davi, Jesus, senão do Filho de Davi Jesus e Cristo juntamente: Líber generationis Jesu Christi, filii David. — E porque esta sucessão e herança não pertencia à pessoa da Virgem Maria, senão à de S. José, sucessor e legítimo herdeiro do cetro de Davi — como dizem graves autores, e se infere eficazmente do mesmo texto — esta é a forçosa razão por que foi necessário o verdadeiro e legítimo matrimônio entre José e Maria, para que Cristo, como prole do mesmo matrimônio, pudesse ser herdeiro de José, como foi: Jesus Nazarenus, Rex Judaeorum[18]: rei, e pelo matrimônio de Nazaré. Donde se segue que, assim como o mesmo Cristo, por razão e benefício do matrimônio de sua Mãe, teve legítimo direito filial para herdar a José, como seu filho, assim José reciprocamente teve o direito paterno, também legítimo, para o fazer seu herdeiro, como pai.

Entre agora o evangelista S. Lucas, e ponha admiravelmente o selo a esta conseqüência. Introduzindo S. Lucas a embaixada do anjo à Virgem, falou com esta formalidade de termos: Missus est angelus Gabriel a Deo in civitatem Galilaeae, cui nomen Nazareth, ad virginem desponsatam viro, cui nomen erat Joseph, de domo David et nomen virginis Maria (U. 1, 26): Foi mandado o anjo Gabriel por Deus a uma cidade de Galiléia, por nome Nazaré, a uma Virgem desposada com um varão por nome José, da casa de Davi, e o nome da Virgem era Maria. — Pois, se o evangelista foi tão exato em declarar o nome da província, da cidade, do varão e da Virgem, e ao nome do varão acrescentou a família e descendência, por que a não acrescentou também ao nome da Virgem? O varão e a Virgem ambos eram da família de Davi: por que não declarou, logo, que a Virgem era também da mesma família? Digo mais que havendo de declarar a família de um só dos dois contraentes, esta havia de ser a da Virgem, e não a do varão, porque só a Virgem havia de ser a Mãe do filho anunciado, e o varão não: Quoniam viram non cognosco[19]. — Pois, outra vez, se o varão não havia de ter parte no filho, e todo havia de ser da Virgem, por que declara a família do varão, e a da Virgem não a declara? Porque tanto importava a S. Lucas, para a conseqüência da sua história, declarar uma, como não declarar outra. E qual foi a conseqüência? Dabit illi Dominus Deus sedem David patris ejus[20]. — Havia de dizer o anjo, como disse, à Virgem, que ao filho anunciado lhe daria Deus o trono e cetro de seu pai Davi; e como este cetro, e a herança dele pertencia a Cristo, não pela descendência da Virgem, senão pela do Varão, que era José: Virum Mariae — por isso só ao nome de José ajuntou o da família de Davi: Cui nomen eras Joseph, de domo David. — Como se dissera: O filho há de ser da Mãe, mas o cetro há de ser do Pai; o Filho há de ser da Virgem, mas o cetro há de ser do varão; porque, pela herança do varão — viram Mariae — o Filho de Maria não só será Jesus, que quer dizer Salvador, senão Cristo, que quer dizer rei: Jesus, qui vocatur Christus — e isto é o que quis provar S. Mateus no seu livro, quando disse: Liber generationis — não só Jesu, senão Christi, filii David.

VI – Os testemunhos dos evangelistas. Quando os evangelistas a um e outro esposo lhes chamavam, ou em comum pais, ou em particular a José pai, e a Maria Mãe de Cristo, em que sentido falavam? O testemunho mais qualificado e de maior autoridade.

Aqui se devia notar que nenhum evangelista diz expressamente que a Virgem era descendente de Davi, e todos expressissimamente, e em muitos lugares, o repetem de José, porque a ele direitamente pertencia o jus hereditário, e legítimo direito do reino de Davi. Mas, deixadas as conseqüências, vamos a testemunhos dos mesmos evangelistas, em que com evidência se prova ser o gloriosíssimo José verdadeiro e legítimo pai de Cristo.

Quando a Virgem Santíssima e seu esposo, S. José, levaram a Cristo Menino ao Templo de Jerusalém a ser presentado, conforme a lei, diz o evangelista que o introduziram seus pais: Cum inducerent Jesum parentes ejus (Lc. 2, 27). — E quando refere que todos os anos pela Páscoa tornavam ao Templo, lhes chama segunda vez seus pais: Et ibant parentes ejus per omnes annos in Jerusalem, in die solemni Paschae[21]. — E, depois que foi de idade de doze anos, na mesma jornada em que o perderam e não acharam, terceira vez lhes torna a dar o mesmo nome de pais seus: Remansit puerJesus in Jerusalem, et non cognoverunt parentes ejus[22]. — E se quisermos ver, os dois santíssimos esposos até aqui compreendidos debaixo do nome comum de pais, distintos e divididos cada um com o seu próprio de pai e mãe, com esta distinção e propriedade os nomeia o mesmo evangelista, quando refere que, ouvindo a Simeão, se admiravam do que profetizava daquele Menino: Et erat pater ejus et mater mirantes super his quae dicebantur de illo[23]. — Agora pergunto, e haja quem me responda: Quando os evangelistas a um e a outro esposo lhes chamavam, ou em comum pais, ou em particular a José pai, e a Maria mãe de Cristo, em que sentido falavam? Porventura no sentido vulgar, em que o povo, ignorante do mistério, reputava a José por pai de Cristo: Ut putabatur filius Joseph (Lc. 3, 23) — e erradamente lhe dava este nome? De nenhum modo, porque no tal caso diriam os evangelistas uma coisa não só falsa — o que não pode ser — mas injuriosa à Virgem, a seu Filho, a seu Esposo, e à mesma verdade do Evangelho. E certo, logo, e infalível, que o sentido em que falavam os evangelistas era o verdadeiro e próprio, conforme a realidade do que as suas palavras significavam. E assim como estas eram próprias, certas e verdadeiras, quando chamavam a José pater ejus, assim José era próprio, certo e verdadeiro pai de Cristo.

Ainda temos outro testemunho mais qualificado, não na verdade, que não pode ser maior, mas maior sem comparação na autoridade e na dignidade. Quando a Virgem Santíssima, Senhora Nossa, e S. José, depois de haverem perdido o Menino de doze anos, o acharam no Templo, disse-lhe a Mãe Santíssima com palavras muito suas: Fili, quid fecisti nobis sic? Ecce pater tuas, et ego dolentes quaerebamsu te (Lc. 2,48): Filho, e que é isto, que nos fizestes? Eis aqui vosso pai e eu, que há muito vos andamos buscando com grande dor. — De sorte que da mesma boca da Mãe de Cristo é José pai de Cristo: Ecce pater tuus, et ego. — Onde se deve notar muito que os três, entre os quais se repartia este colóquio, Jesus Maria e José, todos sabiam o mistério e segredo da Encarnação de Cristo, para não ser necessário usar de alguma metáfora, ficção ou cautela: José sabia que não tinha parte alguma na conceição do filho; o filho sabia que todo unicamente era de sua Mãe; a Mãe sabia que fora concebido pelo Espírito Santo. E que a mesma Mãe, falando com o mesmo Filho, chamasse a José seu pai: Ecce pater tuas! — Que é isto? É que S. José, sem concorrer, nem ter parte na geração natural de Cristo, não só podia ser, mas realmente era legítimo e verdadeiro pai do mesmo Cristo.

VII – A primeira e originária fonte donde emana toda a paternidade e todo o ser pai em todas as criaturas. A paternidade natural, a paternidade legal e a paternidade adotiva. As três paternidades da Escritura: a paternidade de Adão, a paternidade de Abraão e a paternidade dos anjos. A razão evidente e manifesta no texto sagrado por que S. Lucas, antes da conceição de Cristo, e S. Mateus, depois do parto, ambos notaram que, antes de nascido e concebido, já as bodas de Maria e José eram celebradas.

E para tirar qualquer dúvida ou escrúpulo que possa ocorrer nesta verdade, tomemos a plaina, e façamos toda a dificuldade ou admiração desta grande matéria plaina, corrente e lisa. S. Mateus começou a geração de Cristo desde Davi e desde Abraão: Filii David filii Abraham. — Eu hei de ir buscar a sua primeira origem muito mais acima. Esta palavra paternitas, que é paternidade, donde se deriva o ser e se significa o nome de pai, só uma vez se acha em toda a Escritura, que é o capítulo terceiro da Epístola aos Efésios: Hujus rei grafia flecto genua mea ad Patrem Domini nostri Jesu Christi, ex quo omnis paternitas in caelis et in terra nominatur (Ef. 3, 14 s): Prostrado de joelhos — diz S. Paulo — dou graças ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual se deriva toda a paternidade do céu e da terra. — De sorte que a primeira e originária fonte, donde mana toda a paternidade e todo o ser pai em todas as criaturas, é o Eterno Padre. E diz o apóstolo: Omnis paternitas: toda a paternidade — porque as paternidades que Deus fez e pode fazer, não são uma só, senão muitas, todas legítimas e verdadeiras, cada uma em seu gênero. A primeira, e natural, foi a de Adão e seus filhos. A segunda é a legal na lei velha, em que o irmão defunto sem filho, era pai legal do que nascia de seu irmão. A terceira é a adotiva, com que Deus nos fez filhos seus, e nós lhe chamamos verdadeiramente Pai nosso: In quo clamamus: Abba — Pater — (Rom. 8, 15). A quarta é a da geração espiritual, da qual propriamente falava S. Paulo, e a declarou aos coríntios: Nam in Christo Jesu per Evangelium ego vos genui[24].

E quanto às paternidades que Deus pode fazer, baste o que disse S.João Batista mostrando as pedras do Jordão, onde batizava, que daquelas pedras poderoso era Deus para fazer filhos de Abraão: Potens est Deus de lapidibus istis suscitare filos Abrahae (Mt. 3, 9). — A palavra Abrahe, no texto original, está em dativo. E se de uma pedra pode Deus dar filhos, e fazer pai a Abrãao — qual era José, — por que o não poderia fazer pai do filho de uma virgem? Faz Deus comumente os matrimônios de mulher fecunda, como o de Adão com Eva; fê-los muitas vezes de mulher estéril, como o de Abraão com Sara, o de Zacarias com Isabel; e por que o não faria uma só vez de mulher virgem, como o da Virgem Maria, com seu esposo José? A primeira paternidade é natural; a segunda é milagrosa; a terceira é sobre toda a natureza, e sobre todo o milagre, mas nem por isso impossível. Torne o texto de S. Paulo, com o que nele é mais admirável: Ex quo omnis paternitas in caelis et in terra (Ef. 3, 15). — Diz o apóstolo que do Eterno Padre se deriva toda a paternidade, assim no céu como na terra. E no céu pode haver paternidade? A palavra omnis, a palavra ex quo excluem a paternidade do Padre Eterno; logo, no céu ficam só os anjos, que não são capazes de geração. Pois, se os anjos não são capazes de geração, como supõe S. Paulo neles paternidade? O como sabe-o Deus, e também não o podia saber S. Paulo, que foi ao céu. O que a nós nos serve é que os virgens são como anjos; e em um matrimônio tão angélico, como o de José e Maria, em que ambos eram virgens, admirável coisa é, mas não impossível, haver a paternidade, com que S. José fosse pai, e com que foi pai de Cristo.

E para que vejamos quão verdadeira, quão legitima, quão própria e quão chegada à natural foi esta paternidade de S. José, ouçamos ao grande lume da Igreja, Santo Agostinho: Omne nuptiarum bonum inventum est in parentibus Christi[25]: Todos os bens, que têm as bodas, se acham no matrimônio dos pais de Cristo. — E, nomeando-os logo, diz: Prolem, filem, sacramentam: a prole, a fidelidade, e o sacramento. — E, declarando qual é a prole, ou o filho deste matrimônio: Prolem — diz o santo — agnoscimus Dominum Jesum Christum: A prole e o filho deste matrimônio de José e Maria é o Senhor Jesus Cristo. Vede o que diz e o que não diz Agostinho. Não diz que o Senhor Jesus Cristo é prole e Filho da Virgem Maria, senão que é prole e Filho das bodas e do matrimônio da Virgem Maria com S. José. E por quê? Porque ser Filho de Maria, é ser Filho da esposa, que é uma só pessoa, e essa mãe; porém, ser Filho do matrimônio, que consta de esposa e esposo, é ser filho de duas pessoas, e essas mãe e pai, qual foi José.

Esta é a razão evidente e manifesta, no texto sagrado, por que S. Lucas, antes da conceição de Cristo, e S. Mateus, depois do parto, ambos notaram que antes de nascido e concebido, já as bodas de Maria e José eram celebradas. S. Lucas: Ad virginem desponsatam viro, cui nomen erat Joseph (Lc. 1, 27). — E S. Mateus: Joseph, virum Mariae de qua natus est Jesus (Mt.1,16) — porque, se fosse antes do matrimônio, seria o Filho só de Maria; mas, depois do matrimônio, como prole do mesmo matrimônio, era de ambos. Assim o tomou a notar o mesmo Santo Agostinho em outro lugar, como se comentasse o já referido. Dá a razão por que S. Mateus deduziu a genealogia de Cristo por S. José, e até S. José: Joseph viram Mariae. Neque enim fas erat, ut ob hoc eum a conjugio Mariae separandum putaret, quod Virgo peperit Christum[26]: Porque não era lícito apartar a José do matrimônio de Maria, a título de haver concebido a Cristo, sendo virgem, porque, ainda que ambos eram virgens, a ambos, sem mútua comunicação, podia nascer um filho, como verdadeiramente nasceu Cristo, não só a Mana, senão a Maria e a José: Praesertim quia nasci eis etiam potuit Filius sine ullo complexu carnali, qui solum propter gignendos filios adhibendus est. — Onde muito se deve notar aquela grani palavra: Nasci eis: nascer a eles; não só à Esposa, senão a ambos os esposos; não só a ela Maria; de qua natus est — senão a ele, José, com quem estava desposada: Joseph virum Mariae.

VIII – Como podia ser que S. José, ainda que não tivesse cooperação alguma na geração do Verbo, e toda fosse do Espírito Santo, o fruto, contudo, do ventre de Maria era seu? Se o Verbo se fez carne, que carne era esta que uniu o Verbo a si, e de quem era? De que modo o ventre de que nasceu Cristo era de Davi, e o Davi, em que se verificou, era José? Por que a Senhora primeiro houve de ser esposa de seu esposo, que Mãe de seu Filho? O testemunho da Virgem, Senhora nossa.

Só resta que vejamos praticamente como isto foi. Fez-se o Filho de Deus homem; mas a frase com que o diz o evangelista S. João é que se fez carne: Verbum caro facturo est[27]. — E que carne era esta que uniu o Verbo a si, e de quem era? Era a carne puríssima e santíssima da Virgem Maria, Senhora nossa. E era só sua? Se não fora desposada, sim. Mas, sendo desposada, como verdadeira e legitimamente o estava com José, pelo vínculo do legítimo matrimônio, tanto era dele como sua. Assim o definiu o soberano instituidor do mesmo matrimônio, por boca do primeiro que atou com ele: Erunt duo in carne una[28]. — E, se a carne de que se vestiu o Verbo, sendo de dois, era uma, não é contra a razão desta unidade, senão muito conforme a ela, que o filho que dela nasceu, sendo também um, pertença aos mesmos dois; a Maria, como esposa, com o nome de Mãe, e a José, como esposo, com o de pai.

Grande texto em confirmação, com autoridade divina, e, sobre divina, juraria Juravit Dominus David veritatem, et non frustrabitur eam (SI. 131, 11): Jurou Deus a Davi uma verdade, cuja promessa infalivelmente se cumprirá, e não será frustrada. — E que verdade, não só prometida, senão jurada pelo mesmo Deus é esta? De fructu ventris tui ponam super sedem tuam (ibid.): É que do fruto do ventre de Davi havia de pôr Deus sobre o seu trono um Filho, também seu. — Assim se cumpriu em Cristo, Filho de Davi, e Rei do seu próprio Reino. Mas, se o texto, com o mesmo sentido, podia dizer: Ex fructu faemoris tui — por que disse: Ex fructu ventris tui? — A réplica é de Santo Agostinho, o qual responde: Significantius dicere voluit ex fructu ventris, quia de femina natus est Dominus: — Disse: De fructu ventris — com significação mais própria, porque Cristo propriamente nasceu de mulher. — Bem. Mas, se nasceu de mulher, por que chama, ao ventre, ventre de Davi: De fructu ventris tui? — E que Davi era este, se quando Cristo nasceu do ventre santíssimo, havia vinte e oito gerações que Davi era morto? A David usque ad transmigrationem Babylonis, generationes quatuordecim: et a transmigratione Babylonis us que ad Christum, generationes quatuordecim[29]. — O Davi, que então havia, era o último descendente de Davi, imediato antes de Cristo, S. José: Joseph, virum Mariae, de qua natus est Jesus. — E o ventre desta Mãe era deste Davi? Não só era seu, senão mais seu que da mesma Mãe. Assim o diz S. Paulo, e é de fé, pelo vínculo e direito do legítimo matrimônio: Mulier sui corporis potestatem non habet, sed vir[30]. — Mas este poder em matrimônio virginal era só quanto ao domínio — em que se verifica o ventris tui — e não quanto ao uso, como bem nota Santo Tomás. E como o ventre de que nasceu Cristo era de Davi, e o Davi em que se verificou era José, vede se era José verdadeiro, legítimo e propriíssimo pai de Cristo.

Replicará alguém, que José de nenhum modo cooperou à geração do bendito fruto de sua Esposa, senão o Espírito Santo; logo, o fruto não podia ser seu. Nego a conseqüência, porque, ainda que a cooperação não foi sua, senão do Espírito Santo, a Esposa de quem nasceu o fruto, era verdadeiramente sua. Adão em dois estados era senhor de dois frutos muito diferentemente plantados. Enquanto esteve no Paraíso, eram seus os frutos que plantara Deus: Plantaverat autem Dominus Deus paradisum voluptatis[31]. — Depois que esteve fora do Paraíso, eram seus os frutos que ele plantava: Ut operaretur terram de qua sumptus est[32]. Pois, se uns frutos eram plantados por Deus, em que Adão não teve parte, e os outros plantados por ele, com o trabalho de suas mãos e o suor de seu rosto, por que eram igualmente seus, assim uns como os outros? Porque, segundo os diferentes estados da sua fortuna, urna e outra terra era sua. Porque era sua a terra do Paraíso, eram os frutos do Paraíso seus, ainda que não fosse ele, senão Deus o que os tinha plantado. O mesmo digo e se há de entender de S. José. Como a Esposa de que nasceu o bendito fruto do seu ventre, era sua: Conjugem tuam — ainda que ele não tivesse cooperação alguma na sua geração, e toda fosse do Espírito Santo, o fruto, contudo, era seu, porque o era o ventre: De fructu ventris rui.

Falta ainda, ou pode haver mais prova? Não porque falte, mas para que sobeje, quero que o mesmo puríssimo ventre deste fruto nos diga que o fruto é de S. José. Mas, antes que a Mãe Vigem no-lo afirme, é necessário que demos dois passos atrás. S. Jerônimo, buscando a razão por que a Senhora primeiro houve de ser esposa de seu esposo, que Mãe de seu Filho, achou-a natural na agricultura e no texto de Isaías: Egredietur vinga de radice Jesse, et fios de radice ejus ascendet[33]. — As palavras do Doutor Máximo são estas: Maria vinga est, fios Christus. Et nunquam fios ascendit de vinga foliis nuda Prius virga folis obumbratur, et honestatur, quam fios ascendat; prius ergo Maria eras honestando, quam Christus nasceretur: Na árvore — diz S. Jerônimo — primeiro nasceram as folhas para a sombra, depois a flor para o fruto. Logo, primeiro havia de estar a Virgem à sombra de José, do que ter a Cristo nos braços. — E que se segue daqui? Mais disse Jerônimo naquele obumbratur do que quis dizer. Demos agora outro passo ao mistério da Encarnação. Virtus Altissimi obumbrabit tibi (U. 1, 35): A virtude do Altíssimo, ó Maria, vos fará sombra; e o Filho que debaixo desta sombra conceberdes, será Filho de Deus: Ideoque et quod nascetur ex sanctum, vocabitur Filius Dei (Lc.1, 35). — E se o Filho concebido à sombra de Deus é Filho de Deus, diremos também que o mesmo Filho concebido à sombra de José é Filho de José? Eu não me atrevo a afirmar a semelhança; mas, dando o último passo, ouçamos o que diz a mesma Virgem.

Sub umbra illius, quem desideraveram, sedi et fructus ejus dulcis gutturi meo (Cânt. 2, 3): Assentei-me à sombra daquele que eu tinha desejado, e o seu fruto foi para mim muito doce. — E quem é aquele a quem a Virgem tinha desejado? Excelente perífrase de S. José! Quando a Virgem, tendo estado no Templo até idade competente, foi obrigada pelo divino oráculo a sair daquele recolhimento, e tornar esposo; como esta obediência era contrária ao voto que tinha feito de perpétua virgindade, pediu a Deus que fosse tal o seu esposo, que tivesse a mesma virgindade por voto, ou ao menos por propósito firme. E tal foi José, de pureza tão virginal e constante como a sua. Assim o dizem os santos antigos, e doutores modernos. E porque Deus satisfez à Senhora este seu desejo, por isso chama ao seu esposo aquele que ela tinha desejado: Sub umbra ilius, quem desideraveram, sedi.Assentada, pois, à sombra do seu desejado José, então é que o Altíssimo a assistiu com a sua: Virtus Altissimi obumbrabit tibi — e nasceu o fruto bendito do seu ventre: Ideoque et quod nascetur ex te sanctum. — Segue-se o ponto principal. E esse fruto, de quem diz a Virgem que é? Não diz que é seu, do que não se podia duvidar, mas diz que é do seu esposo, o que só podia ter dúvida. Et fructus ejus: e o fruto dele. De sorte que a sombra era do seu desejado: Sub umbra illius, quem desideraveram, sedi; e o fruto também do mesmo desejado: Et fructus ejus dulcis gutturi meo.

IX – As parelhas do nome de José: José, filho de Jacó, e José de Arimatéia. O eterno Padre, equívoco de José pai. Assim como Cristo disse: O que fizer a vontade de meu Padre é minha mãe, porque não disse também: é meu pai? A sujeição do Filho de Deus a José, e a obediência de Deus a Josué.

Desfeitas assim, e satisfeitas, ou, como dizíamos, aplainadas as dificuldades que podiam ocorrer na nossa proposta, tempo é já de deixar a plaina, e tomar o compasso, para medir as grandezas que dela se seguem ou sobre ela se levantam. Cristiano Drutmaro, padre antigo e eloqüente, chamou a José, esposo da Virgem, equívoco de José, filho de Jacó: Fuit autem tuas aequivocus castus inventus, et bonus[34]. — E pareceu tão bem a Alberto Magno este equívoco, que acrescentou ao de José do Egito o de José de Arimatéia, um por casto, outro por pio: Clarorum virorum aequivocatio est Joseph: Patriarchae praecedentis, et Joseph ab Arimathaea sequentis[35]. — Mas nenhuma destas equivocações me parece digna de eu abrir o compasso, porque se levantam pouco da terra, e porque eu não busco em José as parelhas do nome de José, senão as do nome de pai. Abrindo o compasso, ponho uma ponta fixa dele na oficina de Nazaré, e com a outra, fazendo um meio círculo até o céu empíreo, no mais alto dele — que é o trono do Eterno Padre — acho o equívoco de José pai. E de que boca pronunciado? De uma parte pela Mãe de Deus, e da outra pela do Filho de Deus. Que disse Maria quando achou a seu Filho no Templo? Ecce pater tuus et ego dolentes quaerebamus te[36]. — E que respondeu o Filho? In his, quae Patris mei sunt, oportet me esse[37]. — De maneira que Maria, aludindo a José, diz a Cristo: Pater tuus — e Cristo, aludindo ao Padre Eterno, diz a Maria: Patris mei. — De uma parte, a primeira pessoa da Santíssima Trindade Pai; da outra, a pessoa de José pai, e não de outro indiferente Filho, senão do mesmo Filho de Deus: Patris mei — e do mesmo Filho de Maria: Pater tuus.

Só o mesmo Filho de Deus nos pode ponderar o altíssimo e profundíssimo encarecimento deste estupendo equívoco. Pregando Cristo, Senhor nosso, em uma Sinagoga de Cafarnaum, e tendo diante de si aos seus discípulos, deram-lhe recado que estava fora sua Mãe e seus irmãos, e lhe queriam falar: Ecce Mater tua, et fratres tui foris stant quaerentes te (Mt. 12, 47). — Cristo não tinha irmãos, mas os hebreus chamavam irmãos aos parentes. E que respondeu o Senhor ao recado? Quae est mater mea, et qui sunt fratres mei (ibid. 48)? Quem é a minha mãe, e quem são os meus irmãos? — E aqui estendeu a mão, e, apontando para os apóstolos disse: Ecce mater mea et fratres mei (ibid. 49): Eis ali minha mãe, e os meus irmãos — porque todo aquele que fizer a vontade de meu Padre, que está no céu, esse é meu irmão, minha irmã, e minha mãe: Quicumque fecerit voluntatem Patris mei, qui in caelis est, ipse meus frater, et soror, et mater est (ibid. 50). — O que nesta resposta noto e pergunto é: Assim como Cristo disse: O que fizer a vontade de meu Padre, é minha mãe — por que não disse também, é meu pai? Do mesmo texto se prova a paridade desta instância. Porque, quando disseram ao Senhor que o buscavam seus irmãos, ele não só respondeu que os que faziam a vontade do seu Padre eram seus irmãos, senão também as suas irmãs: Ipse meus frater, et soror est. — Logo, quando lhe disseram que o buscava sua mãe, não só havia de dizer — como disse — que os que faziam a vontade de seu Padre, eram sua mãe, mas, coerentemente, havia de acrescentar que eram sua mãe e seu pai. Pois, por que não disse do mesmo modo: Ipse mater mea, et pater est? — Porque ser pai de Cristo é uma grandeza tão superior a toda a esfera humana, que a nenhum homem a promete Cristo. A primeira e mais alta dignidade entre os homens é a dos apóstolos, como diz S. Paulo: Primum quidem apostolos[38] — e a esses, apontando-os com o dedo, concede Cristo o nome de irmãos seus e mãe sua: Ecce mater mea, et fratres mei; mas o de pai seu, nem a Pedro, nem a outro concede tal coisa. João, que é o mais amado, seja filho de minha Mãe: Ecce filius tuus[39] — mas pai meu, que é dignidade maior, só o Eterno Padre, e José.

Em outro gênero foi José também pai, como pai daquela família, que em tão pequena casa habitava em Nazaré. Também aqui, e sem sair daqui, faz o compasso um círculo maior que o mundo. Todo o mundo habitado não igualava a grandeza, que dentro daquelas quatro paredes tão estreitas estava encenada. Aquela pequena família, de que José era cabeça, compunha-se de duas partes tão imensas, que uma era o Filho de Deus, outra a Mãe de Deus; e se esta era a majestade do corpo, qual seria a dignidade da cabeça? O Padre, o Filho e o Espírito Santo são a Trindade do céu; Jesus, Maria e José são a Trindade da terra. Mas na Trindade do céu nenhuma pessoa manda, nem obedece, porque não há nem pode haver entre elas sujeição ou império. Na terra, porém, com assombro das jerarquias; uma manda, e duas obedecem; e, sendo Jesus e Maria as que obedecem, José é o que manda e governa.

Quando Josué mandou ao sol e à lua que parassem: Sol, contra Gabaon ne movearis, et tuna contra vallem Aialon[40] — parece que foi aquela a maior delegação da onipotência. Mas que comparação tem mandar ao sol e alua, com mandar a Jesus e a Maria? Josué — que como César escreveu as suas batalhas — atreveu-se a dizer que neste caso obedeceu Deus à voz do homem: Obediente Domino voci hominis (Jos.10,14). — Mas, para moderar a proposição, acrescentou ao obediente Domino — como tão grande soldado — et pugnante pro Israel (ibid.): que naquela ocasião Deus também pelejava pela parte de Israel. — Quando os reis se acham presentes nos exércitos, ao tempo de dar a batalha, costumam obedecer aos generais, e não se movem do lugar que eles lhes sinalam. E deste modo — com grande exemplo aos soldados — obedeceu aqui Deus. Apertando, porém, a propriedade deste obediente Domino — a obediência supõe no obediente duas coisas: ser inferior, e ter vontade. O sol era inferior a Josué, mas não tinha vontade; Deus tinha vontade, mas não era inferior. E que fez então Deus? Assim como depois uniu duas naturezas — em cuja união foi capaz do que não era cada uma delas — assim nesta ocasião, unindo a vontade própria à sujeição e inferioridade alheia, com nome mais prodigioso que o mesmo milagre, pôde ser obediente: Obediente Domino voci hominis. — Mas quanto vai deste nome, ou desta obediência, à com que José era obedecido? Em Gabaon nem Deus era sol, nem o sol era Deus; em Nazaré aquele Menino, maior que o mundo, que obedecia a José, tão verdadeiramente era homem como era Deus, e tão verdadeiramente era Deus como era homem.

Deixo de ponderar aqui que Josué foi obedecido em um só dia, uma só vez, e em uma só ação; e José em tantos dias, ou tantos milhares de dias quantos são necessários para compor o espaço de trinta anos; e cada dia tantas vezes, e em tantas ações — além das ordinárias e domésticas — quantas eram as que se multiplicavam no concurso do mesmo ofício, do mesmo trabalho e da mesma obra, sendo José o que, como Pai e como mestre, ordenava, e Cristo o que, como Filho e como discípulo, obedecia. Tudo isto, tão incompreensível na continuação e no número, deixo por ponderar, nesta obediência do Filho de Deusa José, unicamente um só ato e uma só circunstância, que pesa mais que tudo isto. Quando o Menino Jesus, sendo de doze anos, ficou em Jerusalém, não o manifestou a seus pais: Non cognoverunt parentes ejus[41]. — Quando o acharam no Templo, o lugar em que estava era entre os doutores, disputando com eles: Audientem illos, et interrogantem eos[42]. — E quando lhe perguntaram a razão do que tinha feito: Quid fecisti nobis sic[43]? — respondeu que por importar assim ao serviço de seu Padre: In his, quae Patris mei sunt, oportet me esse[44]. — De sorte que neste caso o ditame do Menino, que sabia tanto como Deus, era emancipar-se e governar-se por si mesmo; a sua inclinação e devoção, estar em Jerusalém e no Templo; o seu gênio e engenho aplicar-se às letras e às ciências; sobretudo, o fim destes intentos a importância do maior serviço e honra de Deus.

E qual foi o fim deste parêntesis da sua vida e idade, tão contrário aos exercícios dela? Porventura ficou em Jerusalém? Ficou no Templo? Ficou entre os doutores? Ficou assistindo ao que era mais importante às conveniências de seu Padre? Não. Deixa Jerusalém, deixa o Templo, deixa os doutores, deixa as letras, deixa as assistências do serviço divino, e toma para a tenda de Nazaré, e para os cavacos, só porque assim o julgou e entendeu, e lho ordenou José. Então era de doze anos; depois destes se seguiram dezoito, até os trinta, e em todo este discurso e variedade de tempo e de idades, sem mostrar jamais outro movimento de inclinação e vontade própria, obediente sempre, e sujeito em tudo a José e sua Mãe: Et erat subditus illis[45].

X – Por que, quando Jacó viu a Deus no sumo de uma escada, diz o texto sagrado que Deus estava sustentado nela? Quão anexo andou a S. José, e quão altamente confirmado desde o céu, o título de pai do Verbo Encarnado, pela criação e sustento que lhe deu com o trabalho de suas mãos. Conclusão: Qual é o mais nobre homem, e da mais alta e qualificada nobreza que houve neste mundo? A bem-aventurança dos que se sustentam com o trabalho de suas mãos, e se sustentam delas.

A esta sujeição de filho se segue em S. José outro título de pai, que é o da criação e sustento em cinco idades, desde a infância e puerícia até à de perfeito varão. Deste título e razão de Pai faz menção Hugo Cardeal, alegando o do mesmo S. José: Propter nutrituram, sicut Christus fuit Filius Joseph, et dixit Beata Virgo: Ecce Pater tuus[46]. — Deus é o que sustenta todas as coisas, como quem as criou, e não sei se é mais admirável na sua majestade o querer ser sustentado, ou na de S. José — que não merece menor nome — o ser ele o que o sustentasse.

Naquela tão celebrada escada, chamada de Jacó, o que mostrava a pintura e a visão, era o mesmo que no primeiro capítulo de S. Mateus dizem as letras e Escritura. Em urna e outra se significava o mistério da Encarnação e genealogia de Deus feito homem, e só havia de diferença que a escada era mais curta dois degraus, porque esta começava em Jacó, e S. Mateus em Abraão, seu avô. Subindo, pois, pela escada, de geração em geração, e de degrau em degrau, o último e o mais alto é S. José, porque nele se acaba o genuit: Jacob autem genuit Joseph viram Mariae[47]. — Agora se segue na história desta visão de Jacó urna proposição digna de reparo: Jacó viu a Deus no sumo da escada, e diz o texto que Deus estava sustentado nela: Et Dominam innixum scalae (Gên. 28,13). — Parece que se havia de dizer ou ser o contrário, e que Deus estava sustentando a escada, para que estivesse firme em tanta altura, e não que Deus se sustentasse nela. A dúvida é de Ruperto Abade, e também a solução, por estas notáveis palavras: Supremus scalae gradus, cui Dominus innixus est, isle est beatus Joseph, vir Mariae, de qua natus est Jesus. Quomodo iste Deus, et Dominus huic innixus est? Utique tamquam tutori pupillus, quippe qui in hoc mundo sine patre natus est. Ita innixus est huic beato Joseph, ut esset infantulo ist Pater optimus[48]: O último e supremo degrau da escada é José, Esposo da Virgem Maria, da qual nasceu Jesus. Mas, como se pode verificar que este Jesus, este Deus e este Senhor estivesse sustentado, e se estivesse sustentando naquele supremo degrau, que é José? O modo e a razão é manifesta — diz o insigne doutor — porque, como Deus feito homem nasceu neste mundo pupilo e órfão sem pai, José foi escolhido por Deus para que em lugar de Pai, e Pai ótimo, qual é Deus, o sustentasse como filho: Ita unnixus est huic beato Joseph, ut esset infantulo iste Pater optimus.

Tão anexo andou a S. José, e tão altamente confirmado desde o céu, pelo mesmo Deus, este terceiro título de pai de seu Filho, o qual ele exercitou com suma vigilância, amor e cuidado, não só enquanto Menino, senão era todas as idades, sustentando-o com o trabalho de suas mãos e suor de seu rosto, na pátria, no desterro, e em toda a parte. Mas, se a Elias o sustentou Deus por um anjo, a Daniel por um profeta, e a todo o povo de Israel, por espaço de quarenta anos, com o maná chovido do céu todos os dias, a seu Filho, por que lhe não proveu os alimentos, como diz Davi, das dispensas ocultas da sua onipotência, e a mesa que lhe pôs, e à que o pôs, foi a de um pobre oficial, ganhada com o trabalho, e provida com o jornal de cada dia, e em que também o mesmo Filho tivesse a sua parte? A razão desta, não menor, mas muito maior providência, que Deus teve com seu Filho, foi aquela que deu S. Paulo, quando disse: Debuit per omnia fratribus similari[49]. — Como o Filho de Deus se tinha feito homem, era conveniente que em tudo se fizesse semelhante aos outros homens, aos quais tinha o mesmo Deus condenado, em Adão, a comer o seu pão com o suor de seu rosto. Este é o sustento e modo de os homens se sustentarem, o mais decente, o mais natural, o mais inocente, e o mais justo. Os reis sustentam-se dos tributos dos vassalos; mas quantas injustiças vão envoltas nestes tributos? Os grandes sustentam-se dos seus morgados; mas quantos, como o de Jacó, por astúcias e enganos, foram roubados a Esaú? Outros se sustentam pelas armas nas guerras, outros pelas letras nos tribunais, outros pelos governos nas províncias remotas, e, sendo tanto o pão que ali se recolhe, e que talvez não chega a se comer, qual é o que não seja amassado com as lágrimas e sangue dos inocentes?

Ó ditosos, ó bem-aventurados — que com isto devia, e quero acabar — aqueles de quem cantou Davi: Labores manuum tuarum quia manducabis, beatus es, et bene tibi erit[50]! Aquele es, e aquele erit, o que cada um é, e o que há de ser; o que é nesta vida, e o que há de ser na outra, são os dois cuidados maiores de todo o homem que tem fé e uso de razão; e ambos reduz o profeta à fortuna, tão pouco estimada neste mundo, dos que comem os trabalhos das suas mãos, e se sustentarão delas. Estes, ou destes, são os que militam debaixo da bandeira de S. José, e vivem do honrado soldo da sua imitação, nesta nobilíssima irmandade. De propósito lhe chamo nobilíssima, para desafrontar o nome com que os ignorantes queriam afrontar a Cristo pelo ofício de seu pai: Fabri filius[51]. — O primeiro fabro que houve no mundo, diz Santo Ambrósio; foi Deus, que fabricou o mesmo mundo, que ensinou a Noé a fabricar a arca, a Moisés a fabricar o tabernáculo, a Salomão a fabricar o templo, com todas as medidas, com todas as proporções, e com todos os primores donde depois os tornou e aprendeu a arte. Mas, deixado o fabro divino, que era o Pai de Cristo no céu, vamos ao fabro da terra, que, se o nosso discurso provou alguma coisa, já não haverá quem lhe duvide ser seu legítimo e verdadeiro pai. Para que acabemos por onde começamos, pergunto: Qual é o mais nobre homem, e de mais alta e qualificada nobreza que houve neste mundo? Porventura o primeiro César entre os romanos, ou o último Alexandre entre os gregos? Não. Pois quem? Aquele humilde oficial chamado José, que em urna nobre tenda de Nazaré, com um dos instrumentos da sua arte, estava cortando ou acepilhando um madeiro. Os padrões desta nobreza são os livros dos evangelistas S. Mateus e S. Lucas. E todas as outras nobrezas, por mais que se chamem reais ou imperiais, é certo que não são Evangelho. Em S. Mateus conto a S. José, até el-rei Davi, vinte e oito avós, e até Abraão quarenta e dois. E em S. Lucas, subindo a ascendência do mesmo José mais acima, e contando de pais a filhos setenta e quatro avós, não só chega até Adão, mas passa a Deus: Qui full Adam, qui fuit Dei[52]. — Blasonai agora lá das vossas ascendências, que a melhor coisa que podem ter é não se saber donde começaram. E tudo isto o ordenou assim a Providência divina, para quê? Para abater e confundir a soberba humana. Deus: Qui fuit Adam, qui fuit Dei — Blasonai que o subir. E quantos governaram reinos e monarquias, cujos descendentes estão hoje vivendo ou do remo no mar, ou do arado na terra? Ninguém se estime a si, nem despreze a outro pelo que pode dar ou tirar a fortuna. Ditosos os que, contentes com a sua, imitam e servem a SÃO José! Neste mundo o sangue de José foi a maior nobreza; no outro o merecimento de José é a maior valia, porque o Filho de Deus em toda a parte o reconhece por Pai; e como na terra lhe obedeceu em tudo, assim no céu lhe concede tudo. Ditosos pois, outra vez, os que, na confiança de imitar a tão humilde oficial e servir a tão grande príncipe, nele, por ele, e como ele, esperam de seus trabalhos o prêmio eterno. Amém.

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[1] Na Vulgata: Cum esset desponsata mater ejus Maria Joseph: Estando já Maria, sua mãe, desposada com José (Mt. l, 18).
[2] Porventura não é este o filho do oficial (Mt. 13, 55)?
[3] Chamado pai do senhor Jesus Cristo.
[4] Pelo menos pereceu vítima de uma grande coragem (Ovid. Met. lib. 2, 328).
[5] Porque era da casa e família de Davi (Lc. 2, 4).
[6] José, filho de Davi, não temas (Mt. 1, 20).
[7] Estando já Maria, mãe de Jesus, desposada com José (Mt. 1,18).
[8] E José, seu esposo, como era justo (Mt. 1, 19).
[9] Não temas receber a Maria, tua mulher (ibid. 20).
[10] Porque o que nela se gerou é obra do Espírito Santo (ibid. 20).
[11] A palavra tribo, na edição original é sempre do gênero masculino.
[12] Hosana ao filho de Davi (Mt. 21, 9).
[13] Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim (Mt. 15, 22).
[14] Filho de Davi, tem misericórdia de mim (Mc. 10, 47).
[15] Pôr-lhe-ás o nome de Jesus (Lc. 1, 31).
[16] Foi-lhe posto o nome de Jesus (Lc. 2,21).
[17] De Maria, da qual nasceu Jesus (Mt. I,16).
[18] Jesus Nazareno, rei dos judeus (Jo. 19,19).
[19] Pois eu não conheço varão (Lc. 1, 34).
[20] E o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi (Lc. 1, 32).
[21] E seus pais iam todos os anos a Jerusalém no dia solene da Páscoa (Lc. 2, 41).
[22] Ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o advertissem (ibid. 43).
[23] E seu pai e sua mãe estavam admirados daquelas coisas que dele se diziam (ibid. 33).
[24] Pois eu sou o que vos gerei em Jesus Cristo pelo Evangelho (1 Cor. 4, 15).
[25] August. lib. l ad dal. tom. 7.
[26] Augut. lib. de Cons. Evang. cap. L
[27] O Verbo se fez carne (Jo. 1, 14).
[28] Serão dois numa carne (Gên. 2, 24).
[29] Desde Davi até a transmigração de Babilônia, são catorze gerações; e desde a transmigração de Babilônia até Cristo, catorze gerações (Mt. 1,17).
[30] A mulher não tem poder no seu corpo, mas sim o marido (1 Cor. 7, 4).
[31] Ora, o Senhor Deus tinha plantado um paraíso ou jardim delicioso (Gên. 2, 8).
[32] Para que cultivasse a terra, de que tinha sido tomado (Gên. 3, 23).
[33] Sairá uma vara do tronco de Jesse, e uma flor brotará da sua raiz (Is. 11, 1).
[34] Christ. Druth. in Match. 2.
[35] Albert. Magn. in eumdem locum.
[36] Sabe que teu pai e eu te andamos buscando cheios de aflição (Lc. 2, 48).
[37] A mim importa ocupar-me das coisas que são do serviço de meu Pai (ibid. 49).
[38] Primeiramente os apóstolos (1 Cor. 12, 28).
[39] Eis aí teu filho (Jo. 19, 26).
[40] Sol, detém-te sobre Gabaon, e tu, lua, pára sobre o vale de Ajalon (Jos. 10, 12).
[41] Sem que seus pais o advertissem (Lc. 2,43).
[42] Ouvindo-os, e fazendo-lhes perguntas (ibid. 46).
[43] Por que usaste assim conosco (ibid. 48)?
[44] A mim importa ocupar-me das coisas que são do serviço de meu Pai (ibid. 49).
[45] E estava à obediência deles (ibid. 51).
[46] Hug. in Psal. 2.
[47] E Jacó gerou a José, esposo de Maria (Mt. 1, 16).
[48] Rupert. de glorios. Filio hominis lib.1, in Math.
[49] Foi conveniente que ele se fizesse em tudo semelhante a seus irmãos (Hebr. 2,17).
[50] Porque comerás dos trabalhos das tuas mãos, bem-aventurado és, e te irá bem (SI. 127, 2).
[51] Filho do oficial (Mt. 13, 55).
[52] Que foi filho de Adão, que foi criado por Deus (Lc. 3, 38).

Fonte: https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=49875