Sermão doméstico, na véspera da Circuncisão e Nome de Jesus (1689)

SERMÃO DOMÉSTICO

Na véspera da Circuncisão e Nome de Jesus, em que na Companhia do mesmo nome se renovam os votos religiosos. Ano de 1689,

Postquam consummati sunt dies octo, ut circumcideretur puer, vocatum est nomen ejus Jesus[1].

I – O pouco fruto da renovação dos votos religiosos, repetidos duas vezes por ano. Os compêndios do dia da Circuncisão e da renovação dos votos. Assunto do sermão: reduzir todas as renovações a uma só renovação, todos os votos a um só voto, e toda a perfeição do espírito a uma só virtude.

Sendo a renovação do espírito um dos meios mais particulares da nossa Companhia para conservar e adiantar a perfeição de seus filhos, coisa é verdadeiramente – falo de mim – coisa é verdadeiramente, não só digna de admiração, mas de confusão grande, que, repetindo-se esta mesma renovação duas vezes cada ano, passem os anos, e tantos anos, com tão pouco fruto. No dia de amanhã se cerram cento e trinta e cinco dias de renovação, em que, por mercê de Deus, me tenho achado indignamente nesta sua Companhia. E que maior confusão que contar tantos anos, e tantos dias, e olhar para mim? As renovações passadas perderam-se; a presente, sabe Deus se será a última; as futuras, é certo que não podem ser senão muito poucas. Que remédio? Ora, eu considerando neste ponto – que é o que nos deve levar toda a consideração – o meio ou remédio que me ocorreu foi ver se no caminho da perfeição se poderá descobrir algum atalho ou compêndio breve, pelo qual todas as renovações mal-aproveitadas se possam reduzir a uma renovação bem-feita.

Deus, nosso Senhor, não só tem caminhos senão também atalhos: Vias tuas, Domine, demonstra mihi[2]eis aí os caminhos – Et semitas tuas edoce me[3]eis aí os atalhos. E se bem olharmos para todas as circunstâncias desta solenidade, todas elas nos estão ensinando isto mesmo. No Evangelho, que é o mais breve do ano, temos a eternidade do Verbo reduzida a oito dias: Postquam consummati sunt dies octo[4]temos a grandeza e imensidade de Deus reduzida ao corpozinho de um menino: Puer – temos o preço infinito do sangue de Cristo reduzido a poucas gotas do golpe da circuncisão: Ut circumcideretur – e temos todos os nomes do mesmo Senhor, que são inumeráveis e incompreensíveis, reduzidos a um só nome: Vocatum est nomen ejus Jesus[5]. – Não param aqui os compêndios. Votamos à divina Majestade: Divinae Majestati tuae – no Santíssimo Sacramento, que é o compêndio de todas as maravilhas; votamos em presença da Santíssima Virgem: Coram sacratissima Virgine Maria – que é o compêndio de todas as graças; votamos neste santo lugar, posto que tão estreito, o qual no dia de amanhã é o compêndio de toda a corte celestial: Et curia tua caelesti universa – votamos, finalmente, uma tal promessa, e com uma tal condição, que é o compêndio de todas as constituições da Companhia: Omnia intelligendo juva ipsius Societatis constitutiones.

Não será logo coisa alheia nem deste mistério nem deste dia, senão muito conforme a ele, que nós também façamos um compêndio muito abreviado, no qual e pelo qual se reduzam todas as renovações a uma só renovação, todos os votos a um só voto, e toda a perfeição do espírito a uma só virtude. Isto é o que hoje me quisera persuadir a mim mesmo. Deus me ajude com a sua graça, para que acerte a me declarar.

II – A razão por que a providência divina reduziu todas as suas leis a uma só lei, e todos os seus preceitos a um só preceito, que é o da caridade. A causa principal do pouco fruto das renovações passadas: a falta de unidade nos votos e na perfeição. Que remédio há para renovar o arruinado e restaurar o perdido?

O erro ou engano por que na vida espiritual em muito tempo se aproveita pouco, é porque tomamos as coisas a vulto, e não reduzimos a multidão à unidade. A multidão dificultosamente se pode abarcar; a unidade facilmente se compreende. Esta é a razão por que a sabedoria e providência divina reduziu todas as suas leis a uma só lei, e todos os seus preceitos a um só preceito, que é o da caridade. Assim o declarou o apóstolo S. Paulo, o qual a este preceito um e único, a que se reduzem todos os outros, chamou vínculo da perfeição: Charitatem habete, quae est vinculum perfectionis[6]. – A perfeição, desatada, são infinitas virtudes, e infinitos atos de cada uma delas; atada, porém, e reduzida à unidade, é uma só virtude. E que se segue daqui? Segue-se que a mesma perfeição desatada, e sem este vínculo, pela multidão a que se estende, é muito dificultosa de se observar; atada, porém, com o mesmo vínculo, pela unidade a que se reduz, se pode observar facilmente.

Ouçamos ao mesmo legislador divino: Qui diligit me, sermonem meus servabit; qui non diligit me, sermones meos non servat (Jo. 14, 23 s): Quem me ama – diz Cristo – guarda o meu preceito; quem não me ama, não guarda os meus preceitos. – Para notar a diferença destes termos, não é necessário reparo nem ponderação. De sorte que à sua mesma lei uma vez lhe chama Cristo muitos preceitos: sermones meos – e outra vez lhe chama um preceito: sermonem meum. – Mas quando lhe chama muitos preceitos, diz que se não guardam: sermones meos non servat – e quando lhe chama um preceito, diz que se guarda: sermonem meum servabit. – E por quê? O mesmo texto dá a razão, e é porque a lei de Cristo uns a tomam atada e unida com o vínculo da perfeição, que é a caridade: Qui diligit me – e outros a tomam desatada e desunida, por falta do mesmo vínculo: Qui non diligit me – e quando a perfeição se toma desatada, assim como os preceitos então são muitos, pela sua mesma multidão são dificultosos de guardar: Sermones meos non servat; porém, quando a perfeição se toma atada e unida, assim como esses preceitos se reduzem a um só, assim por essa mesma unidade se observam facilmente: Sermonem meum servabit.

Assentado este princípio – que é o primeiro princípio na vida espiritual – se bem examinarmos as renovações passadas, e o pouco fruto com que elas passaram por nós, ou nós por elas, acharemos que a causa principal deste pouco fruto foi porque tomamos as mesmas renovações a vulto, não reduzindo os defeitos a um só defeito, que facilmente se pudera emendar, nem reduzindo a perfeição a uma só virtude, que facilmente se pudera adquirir. Esta é a razão fundamental e sólida; nem S. Paulo lhe achou outra. Assim como S. Paulo, escrevendo aos colossenses, reduziu a perfeição ao vínculo de uma só virtude, como vimos, assim, escrevendo aos romanos, depois de relatar todos os preceitos, os reduziu também a um só: Et si quod est aliud mandatum, in hoc verbo instauratur[7]. No texto grego, em lugar de instauratur, está renovatur. E tudo é. Em tantos anos, e tantas renovações, pudéramos ter levantado um grande edifício de perfeição, e eu não vejo em mim senão ruínas. Em tantos anos, e tantas renovações pudéramos ter adquirido um grande cabedal de virtudes, e eu não vejo em mim senão perdas. Que remédio logo para renovar o arruinado, e restaurar o perdido? In hoc verbo renovatur, in hoc verbo instauratur. – O remédio é reduzir tudo à unidade. Procuremos reduzir todos os votos a um só voto; procuremos reduzir toda a perfeição a uma só virtude; e neste compêndio, ou nesta recopilação, como lhe chama Santo Agostinho, se as ruínas forem nos votos, todas ficarão renovadas na unidade de um só voto: in hoc verbo renovatur – e se as perdas forem nas outras virtudes, todas ficarão restauradas na unidade de uma só virtude: in hoc verbo instauratur.

III – O divino e humano exemplar que hoje e amanhã nos põe diante dos olhos a Companhia. O voto a que se reduzem todos os votos, e a virtude a que se reduz toda a perfeição e todas as virtudes. A obediência nas virtudes teologais, nas virtudes morais, e nas virtudes e exercícios próprios da religião. De que modo a obediência faz com que até ações que não têm nome de virtuosas, antes o contrário, sejam não só virtude, senão melhores ainda que a mesma virtude.

Suposto, pois, que esta renovação e restauração se reduz a um só voto, e a uma só virtude, que voto e que virtude será esta? Digo que a virtude é a primeira virtude que Cristo amanhã exercitou, e o voto é o último voto que nós amanhã professamos: Obedientiam perpetuam in Societate Jesu. – Aquele Senhor, que amanhã se chamou Jesus, em um dia mereceu a imposição deste santíssimo nome, e em outro a exaltação dele, mas sempre pela virtude da obediência. A imposição do nome pela obediência da circuncisão: Postquam consummati sunt dies octo, ut circumcideretur puer, vocatum est nomen ejus Jesus[8]a exaltação dele pela obediência da morte de cruz: Factus obediens usque ad mortem, Propter quod donavit illi nomen, quod est super omne nomen[9], – Este é o divino e humano exemplar que hoje e amanhã nos põe diante dos olhos a Companhia, a cuja imitação, nesta mesma hora, com tão fervorosa devoção está exortando a seus filhos, Entendamos todos os que professamos religião debaixo do mesmo nome de Jesus, que se queremos inteiramente responder à dignidade de tão soberano nome, e às obrigações de uma profissão tão alta, só por meio da imitação da sua obediência, e na unidade dela, o podemos fazer. A razão é manifesta pelo que fica dito, porque, se todos os votos se devem reduzir a um só voto, e toda a perfeição a uma só virtude, o voto a que se reduzem todos os votos, e a virtude a que se reduz toda a perfeição e todas as virtudes, é só a virtude da obediência. Não digo coisa nova, senão aquela mesma que sobre todas nos deixou em testamento nosso santo patriarca, confirmando esta máxima, que bastava ser sua, com a famosa sentença de S. Gregório Papa: Obedientia sola virtus est, quae virtudes caeteras menti inserit, insertas que custodit.

Antes de votarmos, o que já fizemos, e amanhã repetimos, tinha a obediência sobre nós muito menor esfera, porque Deus não nos obrigava a guardar pobreza, nem castidade, nem a mesma obediência religiosa; mas, depois que nós nos obrigamos a Deus. Deus também nos obriga a nós. E para nos desempenharmos desta obrigação, posto que ela seja de três votos, nós o podemos fazer com um só voto, se ele for o da obediência, porque, obedecendo a Deus, não só somos obedientes, mas obedientes, castos e pobres, só com a diferença dos nomes. Com a mesma diferença só dos nomes define Santo Tomás que a obediência em respeito do prelado é observância, em respeito dos pais é piedade, e em respeito de Deus é religião. Não é a obediência, diz o mesmo Doutor Angélico, virtude teologal; mas, se eu creio, porque Deus me manda crer, a minha obediência é fé; se eu espero, porque me manda esperar, a minha obediência é esperança; se eu amo, porque me manda amar, a minha obediência é caridade.

Nas virtudes morais corre a mesma regra. Se a matéria delas é devida, a obediência é justiça; se é duvidosa, a obediência é prudência; se é árdua, a obediência é fortaleza; se é deleitável, a obediência é temperança. E que diremos das virtudes e exercícios próprios da religião? Isto mesmo, e com a mesma certeza. Se a obediência me aplica às coisas que o mundo tem por baixas, é humildade; se as que molestam e causam pena, é paciência; se às casuais e várias, segundo o pede a ocasião, é indiferença; se me manda que não olhe, é modéstia; se me manda que não fale, é silêncio; se me manda que não saia, é clausura; se me nega o que desejo, e me obriga ao que repugno, é mortificação; se me responde, ou castiga os meus defeitos, é penitência; e se me põe a um canto, como bordão de um homem velho, de que se quer ajudar quem o tem na mão, é ócio santo, com mais tempo e maior liberdade para orar e contemplar em Deus.

Mas porque alguns dos exercícios da obediência são meramente temporais, aqui se deve muito advertir que a obediência não só é todas as virtudes, mas faz que sejam virtude as que o não são. Assim como a alquimia por arte tudo converte em ouro, assim a obediência por natureza tudo transforma e converte em virtude. E daqui vem que até as ações que não têm nome de virtuosas, antes o contrário, ela faz que sejam, não só virtudes, senão melhores ainda que as mesmas virtudes, E como, ou por quê? Não porque é melhor obedecer que sacrificar, porque isso é comparar uma virtude com outra; mas porque – por exemplo – o comer e o dormir, a recreação e o descanso, e outras ações e divertimentos deste gênero, são coisas meramente temporais, naturais e indiferentes, e melhor é comer por obediência, que jejuar; melhor é dormir por obediência, que vigiar; melhor é recrear-me por obediência, que trabalhar; melhor é não fazer nada por obediência, que trazer este colégio às costas, e servir mais que todos. Tanto assim – tornando ao primeiro exemplo – que Santa Tereza de Jesus, com espírito próprio do seu sobrenome, chegou a dizer que melhor é comer por obediência, que comungar sem ela. E se a obediência tão altamente transforma e santifica as ações indiferentes, que não são virtuosas, quanto mais as mesmas virtudes, convertendo-as todas em si, e convertendo-se nelas?

IV – Um reparo da Teologia: sendo todas as virtudes, e cada uma, essencial e totalmente diversa da obediência, parece que se não podem incluir nem resumir nela. A resposta de S. Gregório e o desejo de Santo Inácio.

Só parece que pode argumentar em contrário a Teologia, e dizer: todas as virtudes têm os seus objetos particulares, pelos quais se distinguem, e desses mesmos objetos toma cada uma a sua essência, a sua espécie, e a sua diferença própria; logo, sendo todas e cada uma essencial, e totalmente diversas da obediência, parece que se não podem incluir nem resumir nela. Mas a esta objeção respondeu já tácita e excelentemente o mesmo S. Gregório, quando disse que a obediência, e só a obediência, é a que enxerta na alma todas as outras virtudes: Quae virtutes caeteras menti inserit. – Os ramos ou garfos que se enxertam em um tronco, todos são de outras árvores ou plantas, donde têm o seu nascimento; mas, depois de enxertados, já não vivem, nem se sustentam das suas raízes próprias, senão da raiz e substância do mesmo tronco, tão intimamente incorporadas nele que, se o tronco está verde, os enxertos também reverdecem, e se o tronco secou, também eles secam. O mesmo sucede a todas as outras virtudes, com a obediência. De tal maneira vivem nela, e dela, e por ela, que se a obediência se murchou, secou ou morreu, todas as outras virtudes adoecem juntamente, e perdem a cor, a formosura, o vigor, a vida, e deixam de ser virtudes. Pelo contrário, se a obediência se conserva em seu ser, e vive e persevera, elas também perseveram, vivem e se conservam, e – como diz nosso santo padre – en quanto ella floreciere, todas las demás se veran florecer, e llevar el fruto, que yo en vuestras animas deseo.

Este é o desejo de Santo Inácio, e o mesmo deve ser o nosso. Mas porque não basta a especulação do que está dito, se não se desce à praxe donde a tomaremos nós? Digo que do mesmo Menino Jesus, e do mesmo mistério profundíssimo da sua circuncisão, tirando de todas as circunstâncias da sua obediência os documentos da nossa.

V – A circunstância do tempo e do lugar na Circuncisão. A circuncisão do Senhor e a pontualidade da obediência, O religioso e o relógio. Os religiosos e o espírito cortesão. A circuncisão e o ubi da obediência.

Postquam consummati sunt dies octo. – Obedeceu Cristo à lei da circuncisão ao dia oitavo, não porque dantes não desejasse dar o sangue por nós, mas por quê? Porque o verdadeiro obediente, não só se há de conformar com a obra, senão também com o tempo. Há de fazer o que se manda, e quando se manda. Fazê-lo antes, não é diligência; fazê-lo depois, é tardança. Pois, quando há de ser esse quando? Quando a letra já está começada, e ainda não está acabada. Naquele ponto preciso consiste a pontualidade da obediência. Gentio era Sêneca, mas grande filósofo, e, escrevendo de Roma a Lucílio, seu discípulo, que estava em Sicília, diz assim: Spero sic te vivere, ut, ubicumque sis, sciam quid agas: Espero, Lucílio, que tragas a tua vida tão concertada com o tempo, que em qualquer parte onde estejas, saiba eu o que fazes naquela hora. – E quando isto se esperava de um estóico, que se deve esperar de um religioso? Que faz agora o irmão da Companhia? São às cinco para as seis da manhã: está em oração. É dia santo, são das oito para as dez, em que se ocupa agora? Está estudando. Deram três quartos para as onze, e neste quarto qual é o seu exercício? Está fazendo exame. De sorte que há de bastar saber-se a hora, para que se saiba em qualquer parte o que fazemos. Todo o relógio perfeito, não só dá as horas, mas tem um braço mostrador, com que as aponta. O religioso há de ser como um relógio, mas com dois braços mostradores, um que mostre as horas, outro que mostre as ações. Se a ação concorda com a hora, anda o relógio certo; se não concorda, anda destemperado. Caso notável no mistério da circuncisão! É de fé que Cristo se circuncidou, e, contudo, o evangelista não diz que se circuncidasse; só se contentou com dizer que chegara o dia da circuncisão: Consummati sunt dies octo ut circumcideretur – porque na obediência de Cristo bastava que confiasse do tempo, para que fosse de fé a ação. Assim serão quase de fé as nossas, se imitarmos a sua obediência.

À circunstância do tempo não acrescentou o evangelista a do lugar em que o Senhor obedeceu à lei. Santo Hilário, com opinião singular, e não recebida, diz que foi em Jerusalém. Se assim fosse, alguma escusa podiam ter os espíritos a que eu só quero dar nome de cortesãos. Querem professar religião, querem viver debaixo de obediência, mas há de ser em Jerusalém, nas cortes dos príncipes, nas cabeças dos reinos, nas metrópoles das províncias. Se é em Itália, há de ser em Roma; se é em França, há de ser em Paris; se é em Portugal, há de ser em Lisboa; e se é nesta parte da nossa América, não há de ser no sertão, nem há de ser na aldeia, nem na capitania, nem em outras cidades menores, ainda que sejam catedrais, senão na principal e maior de todas. Se este espírito é da Companhia, não é da Companhia daquele Jesus, que, para encarnar, escolheu Nazaré, e para nascer, Belém. Ainda nessa Belém, com ser naquele tempo habitada pouco mais de pastores, não quis o Senhor que se soubesse de certo o lugar aonde ofereceu a Deus as primícias desta sua obediência. Quando chegaram a Belém os Magos, diz o evangelista que, entrando na casa, acharam o Menino: Intrantes domum, invenerunt puerum (Mt. 2, 11).

Daqui infere Santo Epifânio, com outros padres, que o santo Menino já não estava no presépio, e que a indústria de S. José, depois que a cidade se foi desafogando da multidão da gente, pôde melhorar de aposento. E como no espaço daqueles treze dias se podia cumprir o dia oitavo da circuncisão, ou estando ainda no presépio, ou morando já na casa, não se sabe, nem quis o mesmo Senhor que se soubesse o lugar certo de sua obediência, para ensinar à nossa que há de abstrair totalmente do lugar, e que o não há de ter, nem querer, nem procurar certo. Se a circuncisão foi na casa, era na cidade; se no presépio, era fora dela; se na cidade, era entre homens; se no presépio, era entre brutos; se na cidade e em casa, era já com alguma comodidade; se no presépio, era com o maior incômodo e total desamparo. E a todas estas diferenças de lugares há de estar sempre, indiferente a pronta obediência, ou para viver nas cidades, ou fora e longe delas; ou no povoado entre homens, ou no desterro, e no meio das brenhas, entre os brutos e as feras; ou com comodidade, ou sem comodidade; ou com algum abrigo, ou sem nenhum abrigo; ou em casa, debaixo das telhas, ou no campo debaixo das estrelas. O ubi da obediência é ubique. Os soldados da Companhia de Jesus são soldados volantes, e se estes perguntarem à nossa regra o lugar onde hão de ter o seu posto, o lugar é em qualquer parte do mundo, onde se espera maior serviço de Deus, e ajuda das almas.

VI – A Virgem Maria, ministro da circuncisão do santo Menino, e o retrato fiel do bom superior e do bom súdito. Se a lei da circuncisão não havia de durar, sucedendo-lhe em seu lugar o Batista, por que a observou o Senhor tanto à sua custa, que lhe custou gotas de sangue? Se a circuncisão tira sangue, e o batismo lava com água, sangremo-nos agora, e banhar-nos-emos depois. Os hereges da obediência.

Ut circumcideretur puer. – Temos aqui a circuncisão passiva, mas não temos a ativa. A passiva foi o Menino circuncidado; a ativa foi o ministro da circuncisão, do qual não diz palavra o evangelista. Segundo o cerimonial, da lei, eram ministros da circuncisão, primeiro os sacerdotes, depois os levitas, e, em falta destes, como cá no Batismo, outra qualquer pessoa, ainda que não tivesse ordem nem grau eclesiástico, e talvez o mesmo pai ou a mesma mãe. Parece que Santo Inácio comentou este mistério, quando nos escreveu aos portugueses, que o verdadeiro obediente não olha à pessoa a quem obedece. Ou seja sacerdote, ou seja levita, ou não seja levita, ou tenha grande dignidade, ou pequena, ou nenhuma, com a mesma pontualidade havemos de obedecer ao irmão cozinheiro que ao padre geral da Companhia.

E quanto ao ministro da circuncisão do santo Menino, a opinião mais provável e mais pia é que, assim como Séfora circuncidou a seu filho, assim a Virgem Maria circuncidou o seu. Oh! que excelente retrato de um bom superior, e de um bom súdito quando as obediências são tais que podem doer; verdadeiramente era caso não só para enternecer, mas para assombrar, ver a piedosíssima Virgem ferir com suas próprias mãos, sem lhe tremer nem desmaiar o braço, e derramar o sangue do Filho de Deus e seu! O golpe primeiro cortava o coração da Mãe, e depois a carne do Filho; o Filho sofrendo sem resistir, a Mãe constante sem retroceder; o Filho chorando, a mãe chorando. De ambos era a dor, de ambos eram as lágrimas, e o sangue também de ambos, para que nem o superior se acovarde, nem o súdito o estranhe. Há de ser, porém, tão recíproco o sentimento nas matérias sensíveis, que tanto sinta quem executa como quem obedece; tanto se lastime quem forçado fere como o mesmo ferido; tanto se doa o superior como o súdito, e muito mais o superior, que isto é ser mãe. Os instrumentos daquele rigor, consta da escritura que eram de pedra: cultros lapideos – e diz S. Bernardo que eram de pedra, e não de ferro, porque a pedra não cria ferrugem. Oh! se quisesse Deus que as obediências fossem recebidas tão lisamente como são lisos os instrumentos!

Mas passemos a outro documento, não menos necessário: Ut circumcideretur. – A circuncisão era uma lei muito dura, mas de pouca dura. Havia-se de acabar cedo, como se acabou, sucedendo em seu lugar o Batismo. Pois, se aquela lei não havia de durar, por que a observou o Senhor tanto à sua custa, que lhe custou gotas de sangue? Sem dúvida porque estava antevendo que havia de vir tempo em que fosse necessário este forte exemplo da sua obediência, para confirmar as fraquezas da nossa. Quando a obediência ordena alguma coisa de novo, ou quer emendar algum abuso, os que porventura gostavam mais dos abusos, do que gostam da emenda deles, consolam-se com dizer que aquilo não há de durar. Variar-se-á a sucessão das causas segundas, e logo se emendará tudo, e tornará ao que dantes era. Mas, ainda que esta profecia fora tão infalível, como a ciência que Cristo tinha de se mudar a circuncisão, nem por isso se deve desprezar ou desobedecer o que de presente se ordena. Pois, que se há de fazer? O que fez o mesmo Senhor. Agora, enquanto durava a circuncisão, circuncidou-se; depois, quando vier o Batismo, também se batizará. Se a lei presente não há de durar, observe-se enquanto dura; e, se depois se há de trocar por outra, então observaremos também essa, e seremos duas vezes obedientes.

A lei não tem obrigação de ser sempre a mesma; mas o obediente tem sempre obrigação de obedecer à lei, qualquer que ela seja. Se a circuncisão tira sangue, e o Batismo lava com água, sangremo-nos agora, e banhar-nos-emos depois. Mas, porque eu espero pelo banho, não querer tomar a sangria, isso é não querer sarar. Santo Inácio diz que as coisas da obediência se hão de aceitar e crer como se foram de fé; mas, como há hereges da fé, assim há hereges da obediência. E quem são estes? São uns espíritos inquietos, que só na própria vontade acham quietação, Não declarou Santo Inácio essa quase heresia, porque a não supôs na sua religião; mas disse-o expressamente o profeta Samuel: Quasi peccatum ariolandi est, et quasi scelus idolatriae, nolle acquiescere[10]. – Almas inquietas – diz Cristo – se quereis aquietar, obedecei: Tollite jugum meum super vos, et invenietis requiem animabus vestris[11].

VII – Se o circuncidar-se Cristo era tanto contra o crédito da sua divindade, enquanto Deus, contra o crédito da sua inocência, enquanto homem, e contra o crédito da sua dignidade, enquanto Messias, por que se quis sujeitar à circuncisão com tantos descréditos? A maior peste das religiões: o crédito e o descrédito. Qual é a razão por que cuida o religioso, e diz que está desacreditado? Em que consiste o crédito do religioso? Que diz Davi de Adão, o homem de maior crédito e de maior honra que Deus pôs no mundo? Em que consiste o ser bom religioso? Como entrou Cristo na circuncisão, e como saiu?

Somos chegados à última circunstância, a qual parece pudera inquietar o mesmo Cristo, se não fora tão obediente: Ut circumcideretur. – A circuncisão era remédio do pecado, e marca de pecador; e daqui se segue que quem visse circuncidar aquele menino, por conseqüência natural podia inferir, não só que não era Deus, mas que nem era justo, nem estava em sua graça; pois, se o circuncidar-se Cristo era tanto contra o crédito da sua divindade enquanto Deus, contra o crédito da sua inocência enquanto homem, e contra o crédito da sua dignidade enquanto Messias, por que se quis sujeitar à circuncisão com tantos descréditos? Para tirar e arrancar não do mundo, senão, das religiões, a maior peste delas, que são estes dois nomes, crédito e descrédito. Oh! quantos trabalhos, quantos desgostos, quantas perturbações tem causado na religião, e quantas vocações tem perdido a falsa adoração deste maldito ídolo! Ando triste, ando desconsolado, ando tentado, contra o que prometi e renovei tantas vezes. E por quê? Porque me vejo desacreditado.

Ora, diga-nos este padre, a quem não quero chamar reverendo, ou este irmão, a quem não quero chamar caríssimo: qual é a razão por que cuida e diz que está desacreditado? Estou desacreditado porque à minha antiguidade antepuseram outro mais moderno; estou desacreditado, porque à minha ciência antepuseram outro menos douto; estou desacreditado, porque ao meu grande talento antepuseram outro muito inferior; estou desacreditado, porque à minha virtude, e à minha edificação, antepuseram outro, que não tem tanta. Bem o prova essa humildade. Mas, dado que ser anteposto um seja descrédito do outro, que não foi preferido, a André mais velho, foi anteposto Pedro; a José, o justo, foi anteposto Matias; e ao Justo dos justos, o Filho de Deus, foi anteposto Barrabás. Certamente que entre estes desacreditados, bem pudera um homem de bem não se afrontar de ser um deles. Mas vamos à resposta, que não tem resposta. Assim como o crédito do soldado consiste em ser bom soldado, o crédito do estudante em ser bom estudante, e o crédito do oficial em qualquer arte, em ser bom oficial, assim o crédito do religioso, consiste em ser bom religioso. E o ser bom religioso, em que consiste? Ninguém pode negar que na obediência, em fazer o que lhe mandam, e em se contentar com que lhe não mandem o que deseja. Este é todo o crédito e toda a honra do religioso, e não há outra. Entender o contrário será de filho de Adão, e não de filho de Santo Inácio.

O homem que Deus pôs neste mundo com maior honra e maior crédito foi Adão. E que diz Davi deste homem, tão acreditado e tão honrado? Homo, cum in honore esset, non intellexit (SI. 48, 13): O homem, estando na honra, não entendeu. – E que é o que não entendeu? Não entendeu onde estava a honra. Ele estava na honra: Cum in honore esset – e não entendeu aonde a honra estava. Entendeu que a honra estava em ser como Deus; e ela não estava em ser, senão em obedecer. Enquanto obedeceu, todas as criaturas o respeitavam e veneravam; tanto que desobedeceu, até os jumentos zombaram dele. Queira Deus que no paraíso da religião nos não engane do mesmo modo a serpente. A honra e crédito do religioso não está em ser o que ele deseja ou presume, senão em obedecer ao que lhe mandam, por mais que seja em coisas que pareça o desacreditam. Que maiores descréditos que aqueles que ponderávamos na circuncisão de Cristo? Mas, como o Senhor ainda assim obedeceu, da mesma circuncisão saiu muito mais honrado do que dantes era, não só enquanto homem, senão enquanto Deus. Como entrou Cristo na circuncisão, e como saiu? Entrou obediente, e saiu Jesus: Ut circumcideretur, puer, vocatum est nomen ejus Jesus. – E isto foi, em todo o rigor da Teologia sair muito mais honrado do que era, ainda enquanto Deus. Quando eu digo Deus, nomeio este nome com o barrete na cabeça; mas quando digo Jesus, tiro o barrete, porque o mesmo Deus debaixo deste nome é digno de maior veneração e de maior honra. E esta maior honra não a alcançou o mesmo Filho de Deus antes da circuncisão, senão depois que obedeceu a ela: Postquam consummati sunt dies octo, ut circumcideretur,

VIII – Se tivermos a obediência, nela teremos a todas as virtudes. A obediência, compêndio e união de todas as virtudes. A desobediência, dispêndio e destruição de todas as virtudes. A santidade de Adão e Jonas, e sua desobediência.

Estas foram na circuncisão de Cristo as circunstâncias da sua obediência, e estes são os documentos da nossa. Se os pusermos em praxe, conheceremos que a renovação de todos os votos se reduz a este só voto, e a renovação de todas as virtudes a esta só virtude. Para maior evidência, quero acabar com a demonstração contrária. Se tivermos todas as virtudes, e nos faltar a obediência, nenhuma virtude temos; pelo contrário, se tivermos a obediência, nela teremos todas as virtudes. Por quê? Porque assim como a obediência é o compêndio e a união de todas as virtudes, assim a desobediência é o dispêndio e destruição de todas. Adão no paraíso todos sabemos que foi criado em justiça original, com todas as virtudes que Deus lhe infundiu na alma. E quanto lhe duraram? Enquanto obedeceu, conservou todas; tanto que desobedeceu, perdeu todas. E se isto sucedeu no paraíso, cá fora, que será, senão o mesmo?

Ponhamo-nos longe dele, não só na terra, senão no mar. E que tempestade é aquela, que no Mediterrâneo levanta as ondas até às nuvens? Que navio é aquele, que estão batendo e comendo os mares? Que homem é aquele, que, lançado ao mar o engole uma baleia? O homem é Jonas, o navio é de uns gentios, em que ele navegava; a tempestade furiosa é a que por sua causa se levantou. E quem era esse Jonas? Era um profeta do número dos doze; era um homem, de cujo espírito e zelo fiou Deus a missão e conversão de Nínive; era um santo, então reputado por tal, e depois canonizado. Pois, este homem de tantas virtudes é o que levantou uma tão grande tempestade? Este é o que pôs a perigo de se ir a pique o navio? Este é o que mereceu que o lançassem ao mar? Sim, este. Porque com todas essas virtudes nesta mesma ocasião foi desobediente. Pelas virtudes, mereceu a eleição; pela desobediência, perdeu as virtudes. Os do navio, diz o texto que faziam oração aos seus deuses, porque todos eram idólatras; e a tempestade que não levantou a idolatria de tantos gentios, levantou-a a desobediência de um santo. Não há que fazer caso de santidades sem obediência. Muita modéstia, muita compostura, muita penitência, muita edificação, muitas ilustrações do céu, muitas profecias; mas tudo isto sem obediência é um pouco de vento. Mal disse em dizer um pouco; é tanto vento, que levanta tempestades, que põe em perigo de naufragar o navio, e que, se Deus não acudira com um milagre, o profeta se subvertera no mar e Nínive na terra.

IX – A circuncisão, divisa dos filhos de Abraão, e a obediência, divisa dos filhos de Santo Inácio. Advertência final.

Todos estes documentos, ditados na escola daquele Menino de oito dias, que para ser admiração dos doutores, não há de esperar pelos doze anos, são os que nos ensinam praticamente que para a breve e perfeita renovação do espírito, o voto a que se hão de reduzir todos os votos, e a virtude a que se hão de reduzir todas as virtudes, é a obediência. Assim como a circuncisão era a divisa que distinguia os filhos de Abraão dos outros povos, assim a obediência é o caráter que distingue os filhos de Santo Inácio dos outros religiosos. Em outras religiões – diz o santo patriarca – podemos sofrer que nos façam vantagem nas asperezas, que cada um santamente observa; porém, na pureza da obediência, desejo, irmãos caríssimos, que se assinalem os que nesta Companhia servem a Deus, nosso Senhor, e que nisto se conheçam os verdadeiros filhos dela. Se formos verdadeiros obedientes, seremos verdadeiros filhos da Companhia de Jesus; mas se o não formos, bem nos podemos despedir deste nome, porque nem ele, nem Santo Inácio, nem a Companhia, nem o mesmo mundo nos conhecerá por filhos seus. Perdeu-se o mundo e o paraíso por falta de obediência; e só pela obediência poderá a Companhia salvar o mundo, e ser ela o paraíso. Oh! que paraíso na terra seria amanhã, e será este santo colégio, se todos com grande união entre nós, e grande sujeição à obediência, nos resolvermos com toda a aplicação, com todo o cuidado, com todas as nossas orações e devoções, e com um exame mais particular, a conseguir a perfeição desta só virtude!

Digo desta só virtude, porque não é necessário acrescentar de novo coisa alguma, senão fazermos o mesmo que fazemos, cada um segundo o seu estado, só por obediência. O irmão coadjutor na sacristia, na portaria, na enfermaria, e nas outras oficinas, faça o que costuma trabalhar; mas por obediência. O sacerdote no altar, no púlpito, no confessionário, nos hospitais, nas cadeias, na assistência, faça o que costuma exercitar; mas por obediência. O irmão estudante nas gramáticas, nas humanidades, nas filosofias, nas teologias, faça o que costuma estudar; mas por obediência. Mas por obediência, torno a dizer, e não para ser grande letrado, nem para ser grande pregador, nem para ser mestre, nem para ser lente, nem para ser professo de quatro votos, senão para ser professo de um voto. A obediência é o voto que faz os verdadeiros professos, e em que todos o podemos ser. Aos que se aplicam a outros meios, ainda que santos, para conseguir a perfeição, parece-me que lhes está dizendo Cristo como a Marta: Turbaris erga plurima: porro unum est necessarium[12]. – Este unum, reduzido à unidade da obediência, é só o necessário; este unum, reduzido à unidade da obediência, é o que só basta para conseguirmos toda a perfeição do espírito, e todo o espírito da perfeição. Assim como reduzimos todos os fins a um só fim, que é Deus, assim havemos de reduzir todos os meios a um só meio, que é a obediência, obedecendo a Deus em todos os seus mandamentos, obedecendo a Santo Inácio em todas as suas regras, e obedecendo ao superior, que é a voz de Deus, e regra viva, em tudo o que dispuser de nós.

Tal é a renovação que o céu de nós espera no dia de amanhã; e nós, não só por ser o próprio dia dedicado para ela, mas por ser o primeiro daquele ano fatal, no qual o mesmo céu nos tem prevenido, com a demonstração ou de uma palma, ou de um alfange, para que veja cada um aonde a sua obediência ou a sua desobediência o pode levar, como levou a muitos. O que resta é que, com todo o afeto de nossos corações, peçamos àquele Menino todo-poderoso, pelas gotinhas do sangue de sua circuncisão, e à Santíssima Mãe, pelas copiosas lágrimas que ela lhe custou, nos concedam, em honra de tão soberano mistério, esta mesma resolução muito eficaz, muito verdadeira, muito forte, muito deliberada, e muito constante, para que assim como o mesmo Senhor, pela sua obediência, mereceu o nome santíssimo de Jesus, assim nós, pela mesma obediência, nos façamos dignos de o servir perpetuamente na Companhia, debaixo do mesmo nome: Obedientiam perpetuam in Societate Jesu.

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[1] Depois que foram cumpridos os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus (Lc. 2, 21).
[2] Mostra-me, Senhor, os teus caminhos (SI.. 24, 4).
[3] E ensina-me as tuas veredas (ibid.).
[4] Depois que foram cumpridos os oito dias (Le. 2, 21). (51 Foi-lhe posto o nome de Jesus (ibid.).
[5] Foi-lhe posto o nome de Jesus (ibid.).
[6] Revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição (Col. 3,14).
[7] E se há algum outro mandamento, todos eles vêm a resumir-se nesta palavra (Rom. 13, 9).
[8] Depois que foram cumpridos os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus (Lc. 2, 21).
[9] Feito obediente até à morte. Pelo que lhe deu um nome que é sobre todo o nome (Flp. 2, 8 s).
[10] É como o pecado de adivinhação, e não querer submeter-se é quase crime de idolatria (1 Rs. 15, 23).
[11] Tomai sobre vós o meu jugo, e achareis descanso para as vossas almas (Mt. 11, 29).
[12] Tu te embaraças com o cuidar em muitas coisas, entretanto só uma coisa é necessária (Le. 10, 41 s).

Fonte: https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=49891